Primeira Parte da Carta Misteriosa

Esta eu enviarei antes das outras. Depois as anteriores a esta. Não posso garantir, dado o meio de transmissão, que chegarão na ordem enviada. Ou se chegarão… Na verdade, é bastante provável que, dadas a precariedade da invocação, algumas serão consumidas pela anti-matéria. Mas, se você não está lendo isto, então não está, então, o que posso fazer senão assumir que está? Columum, paradoxos… (Columi? Paradoxismo?)

Você sabe para quem confiar isso. No início, pensei em enviá-lo mais tarde, juntamente com uma advertência, mas agora – a natureza disso… mas não. Quanto mais simples, melhor. Este será o único conjunto de instruções. As outras serão excertos das notas, já escritas. Há limitações quanto à quantidade que posso enviar de cada vez. Além disso, estou agora sempre me movimentando, pois aqueles que roubaram o meu rosto me rastreiam e me caçam. Há tão poucos locais seguros agora, tão poucos momentos de descanso… Devo controlar meus recursos a cada minuto.

Também advirto que, quanto mais tempo passar escrevendo algo, menos você deve levar em consideração, pois a afetação de minha mente segue aumentando. Acredito, espero, torço, rezo para que os insetos Daelkyr tenham sido completamente removidos de minha consequência consciência. Para que eles não mais colonizem minha razão, baguncem com minhas lembranças. (Aviso: Eu não tenho mais certeza se eles são metafóricos ou literais. Acho que ambos os casos são possíveis.) Olhando agora para as notas, elas estão muito rascunhadas, sobrepondo-se umas às outras. Mas, cuidado, apesar disso, se há algo que está em falta do meu ponto-de-vista, é esperança. Então, só porque esta é uma mão familiar, meu caro amigo, não assuma que possa confiar nela. Cautela acima de tudo, enquanto prossegue. Ou, para ser mais preciso, não prossiga você mesmo. Porque você falhou, meu amigo. Falhou em escolher o caminho certo, quando havia tantos outros para trilhar. Não posso voltar atrás e refazer meus passos, mas você pode enviar outros, que irão inevitavelmente escolher novos caminhos a percorrer, verão novos padrões no quebra-cabeças, tirarão conclusões diferentes… Repensando aqui, há tantos pontos decisivos… Se apenas um caminho escolhido fosse outro, as torres de Sharn talvez não ruiriam e derreteriam, criaturas incansáveis não escureceriam a terra, as montanhas não tremeriam…

Excesso de cautela! Isso é o que deve evitar! Ah, e não deposite sua confiança em Andor Kittrell. Acho que esse foi meu primeiro erro. Se ele agiu de má-fé intencionalmente, foi um tolo, ou agiu sob completa ignorância das consequências em que acarretariam seus conselhos, não posso dizer. Tentei ir atrás dele, pois se eu olhasse para seu rosto ao menos por um instante, eu saberia – afinal, ele tem um rosto. Aja com cuidado perto dele. Talvez, nem se aproxime de Kittrell.

Primeira Parte da Carta Misteriosa

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